Três em um



Rui Pena gera polémica entre os militares

Ministro quer fundir Estados-Maiores das Forças Armadas





O ministro da Defesa quer extinguir os Estados-Maiores dos três ramos das Forças Armadas e juntá-los num só, o Estado-Maior da Defesa. A notícia faz a manchete do "Público" de hoje. O almirante Fuzeta da ponte considera a medida "excessiva" e "radical".


Ricardo Rosa
Jornalista

01:08 24 Ago. 2001 - SIC Online

A intenção do ministro Rui Pena é extinguir, já no próximo ano, os cargos de Chefe de Estado-Maior da Marinha, do Exército e da Força Aérea. Em entrevista ao jornal "Público", o titular da pasta da Defesa indica que o novo organismo único agrupa todas as forças militares e, ao invés de chefes de Estado-Maior, vai integrar um comandante de cada ramo.

Quanto ao actual Estado-Maior General das Forças Armadas (EMGFA), será substituído por este Estado-Maior da Defesa, com mais poderes.

Uma medida que tem em vista o fim da duplicação de tarefas e que, acrescenta Rui Pena ao jornal, não é novidade em relação à maioria dos países aliados de Portugal. O ministro da Defesa vai também fundir várias estruturas do ministério com outras similares do EMGFA.

Reduzir estruturas sem ser radical

O comentador da SIC para assuntos militares, Almirante Fuzeta da Ponte, discorda com a posição de Rui Pena. Ainda que não tenha lido as declarações do ministro, o Almirante Fuzeta da Ponte estranha a medida "tão radical".

"Os nossos aliados têm quase todos eles um Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas e os chefes dos três ramos e conseguem os melhores objectivos conjuntos", indicou o comentador da SIC, contrariando a ideia do ministro Rui Pena. "Só a Dinamarca e a Noruega é que vão para uma decisão tão radical".

Fuzeta da Ponte concorda com a extinção de "todas as duplicações e tornar a estrutura das forças aramadas mais viável". No entanto, o ministro deve começar por atacar "problemas mais prioritários" e não transformar os chefes de Estado-Maior em "meros comandantes".

Ao acabar com os chefes de cada ramo das Forças Armadas, Rui Pena "está a tirar uma identidade que os ramos devem ter e necessitam de continuar a ter", no entender do almirante.